Há 78 anos, a Festa em Louvor a Santo Antônio reúne gerações em torno da fé, das tradições e das lembranças que ajudaram a construir a identidade do município de Piranhas
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| Templo Matriz da Paróquia Santo Antônio, em Piranhas (Foto: Hemmyle Oliveira/Correio Goiano) |
Era o ano de 1948 quando acontecia a primeira Festa em
Louvor ao Padroeiro Santo Antônio, uma tradição que atravessaria gerações e se
transformaria em um dos principais símbolos da identidade cultural e religiosa
do município de Piranhas.
Carinhosamente chamada de “Barraquinhas”, “Festa de Junho”, “Festa Junina” e outros nomes que variam conforme a idade e as lembranças de cada morador, a Festa de Santo Antônio tem parte de sua história registrada no livro O Município de Piranhas: Geografia, História e Educação Ambiental, da professora Maria Glória de Faria Nunes dos Santos. De acordo com a obra, a primeira edição das festividades foi realizada em uma simples capela de palha, tendo como festeiro Antônio Pernambuco, operário da Fundação Brasil Central, instituição que teve papel decisivo no surgimento de Piranhas ao instalar seus trabalhadores às margens do Rio Piranhas durante o processo de ocupação e desenvolvimento da região.
A celebração foi conduzida pelo padre Benjamin Malho e marcou também um momento histórico para a comunidade local. Durante a primeira festa, foi lançada a pedra fundamental da Igreja de Santo Antônio, que seria concluída em 1955. Décadas depois, o templo seria demolido para dar lugar à atual Igreja Matriz da Paróquia Santo Antônio.
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| Primeiro templo da Igreja Católica em Piranhas (Foto: Reprodução/Livro O Município de Piranhas - Geografia, História e Educação Ambiental) |
Ao longo das décadas, a celebração religiosa passou a ser um momento de reencontro de famílias, de fortalecimento das amizades e de preservação das tradições que ajudaram a construir a identidade cultural piranhense.
Os moradores mais antigos ainda guardam na memória costumes que marcaram gerações. Entre eles estavam as tradicionais chegadas das bandeiras, conduzidas por grupos de cavaleiros vindos da Fazenda das Pedras e da região do Indaiá. As comitivas percorriam longas distâncias até chegar ao local da festa, em demonstrações de fé, devoção e pertencimento comunitário.
Outra tradição que permaneceu viva na lembrança popular era a fogueira de Santo Antônio. Ao redor dela aconteciam confraternizações, manifestações culturais e os chamados batizados informais, prática bastante comum nas festas juninas de antigamente.
Tradicionalmente, a Festa de Santo Antônio era celebrada por meio da trezena, prática devocional católica composta por treze dias de orações em homenagem ao santo, número que remete à data de sua morte, ocorrida em 13 de junho de 1231.
Com o passar do tempo, a programação foi reduzida e passou a ser realizada entre os dias 4 e 13 de junho, com a novena e as festividades sociais concentradas nesse período.
Entretanto, em 2021, com a chegada do padre Manoel Rejane Viana à Paróquia Santo Antônio, a trezena foi retomada, fazendo com que a festa voltasse a acontecer entre os dias 1º e 13 de junho, aproximando-se novamente de suas origens.
Além do retorno da programação religiosa ampliada, o sacerdote também incentivou o resgate de manifestações culturais tradicionais que durante anos fizeram parte dos festejos populares. Apresentações de quadrilha junina, catira e dança da fita voltaram a integrar as festividades, reforçando a ligação entre fé, cultura e tradição.
Atualmente, a programação segue reunindo momentos de espiritualidade e confraternização que atraem milhares de pessoas. Além das celebrações religiosas, a festa conta com procissão, alvorada festiva, leilões, bingo, barracas de alimentação, apresentações culturais e shows, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações e movimenta toda a cidade.
Em reconhecimento estadual ao seu papel como uma das mais importantes manifestações religiosas e culturais, a Festa em Louvor a Santo Antônio foi incluída no Calendário Cívico, Cultural e Turístico do Estado de Goiás por meio da Lei Estadual nº 20.713, de 15 de janeiro de 2020, apresentada pela então deputada estadual Lêda Borges e sancionada pelo ex-governador Ronaldo Caiado.
Mais do que uma celebração anual, a Festa em Louvor a Santo Antônio representa um patrimônio construído ao longo de quase oito décadas por gerações de moradores que ajudaram a erguer a cidade e manter viva a devoção ao seu padroeiro.
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| Portal de entrada da edição de 2026 da Festa em Louvor ao Padroeiro Santo Antônio, em Piranhas (Foto: Hemmyle Oliveira/Correio Goiano) |
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