Medida põe fim a um modelo histórico da telefonia fixa vigente no Brasil há décadas
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Orelhão da operadora OI instalado em frente a Escola
Municipal Militarizada Gercina Teixeira, em Piranhas (Foto: Arquivo/Correio
Goiano) |
Os telefones públicos, popularmente conhecidos como
orelhões, serão desativados até 31 de dezembro de 2028, encerrando um ciclo
iniciado há mais de cinco décadas e diretamente ligado ao modelo de
universalização da telefonia fixa no país. O anúncio foi feito pela Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Por décadas, os orelhões estiveram espalhados por praças, rodoviárias, esquinas e portas de bares. Coloridos, barulhentos e quase sempre disputados, os aparelhos se tornaram símbolo de comunicação acessível no Brasil. Atualmente, cerca de 30 mil telefones de uso público ainda permanecem ativos — número muito inferior ao registrado no auge do serviço, quando a rede chegou a contar com mais de 1,5 milhão de terminais distribuídos pelo país. À época, a manutenção desses equipamentos era uma contrapartida obrigatória das concessionárias de telefonia fixa.
A desativação ocorre em meio a uma reconfiguração regulatória do setor. Os contratos de concessão que previam a obrigação de manutenção dos orelhões foram firmados em 1998 e tiveram vigência encerrada em dezembro de 2025, abrindo caminho para a extinção gradual do serviço.
Apesar do encerramento programado, a retirada dos equipamentos não ocorrerá de forma uniforme em todo o território nacional. Segundo a Anatel, aproximadamente 9 mil orelhões deverão permanecer temporariamente em funcionamento em localidades que ainda não dispõem de cobertura mínima de telefonia móvel em tecnologia 4G, garantindo uma alternativa básica de comunicação de voz até que haja infraestrutura adequada.

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