Incêndio de grandes proporções mobiliza força-tarefa na zona rural de Piranhas

Chamas atingiram pastagens e vegetação nativa, atravessaram a BR-158 e avançaram sobre áreas de serra. Calor de até 40°C, umidade abaixo de 20% e ausência de chuva aumentam o risco de propagação

Equipes da Prefeitura Municipal, do Corpo de Bombeiros, produtores rurais e voluntários atuam para apagar incêndio na zona rural de Piranhas (Foto: Correio Goiano)

Um incêndio de grandes proporções mobiliza, desde as primeiras horas de sábado (22/08), equipes da Prefeitura Municipal, do Corpo de Bombeiros, produtores rurais e voluntários na zona rural de Piranhas, na saída para Bom Jardim de Goiás. As chamas atingiram pastagens e áreas de vegetação nativa do cerrado, avançaram sobre trechos de serra e chegaram às proximidades do perímetro urbano.

A força-tarefa reúne equipes das secretarias municipais de Meio Ambiente e Saneamento Básico (Semma) e de Agricultura, Abastecimento e Pecuária (Semap), além de caminhões-pipa, maquinários, bombeiros, proprietários rurais e outros voluntários.

Na manhã desta segunda-feira (24/08), o trabalho continuava com o monitoramento dos locais atingidos, inclusive por meio de um drone. O Corpo de Bombeiros também permanece no município acompanhando a movimentação das chamas e atuando no combate aos focos.

Incêndio chegou à região de serra, na zona rural de Piranhas (Foto: Divulgação/Semma)

Segundo a secretária municipal de Meio Ambiente e Saneamento Básico, Danielle Reis Pinheiro, as primeiras equipes foram deslocadas assim que o município recebeu informações sobre o incêndio.

“O fim de semana foi intenso e tenso com os focos de incêndio em nosso município. Primeiro, o fogo começou na zona rural, na saída para Bom Jardim. Nossa equipe foi para o local assim que tomou conhecimento, para auxiliar e dar todo o apoio. Também comunicamos o Corpo de Bombeiros e seguimos até altas horas da noite, com a ajuda de produtores e voluntários, no combate às chamas”, relatou.

Apesar dos esforços, o fogo avançou em direção à serra, onde as características do terreno dificultam o acesso das equipes e dos veículos empregados na operação.

Fogo atravessou a BR-158

Trecho da BR-158 entre Piranhas e Bom Jardim de Goiás precisou ser bloqueada devido a fumaça espessa que reduziu a visibilidade (Foto: Divulgação/Semma)

No domingo (23/08), o incêndio chegou às margens da BR-158. De acordo com Danielle, parte das equipes permaneceu na zona rural com o Corpo de Bombeiros, enquanto outro grupo foi deslocado para a região do trevo de acesso a Piranhas.

“Quando cheguei, o fogo começou na BR e atravessou a rodovia. Foi um momento extremamente tenso. Pedimos apoio policial e mobilizamos equipes e voluntários para interromper o trânsito até que fosse possível garantir uma passagem segura”, afirmou.

Parte do trecho da BR-158 entre Piranhas e Bom Jardim de Goiás precisou ser bloqueada porque a fumaça espessa reduziu a visibilidade para quase zero, colocando os usuários da rodovia em risco. A pista foi liberada ainda no domingo, após a diminuição da intensidade do fogo.

As chamas também atingiram grandes áreas de propriedades rurais, ultrapassaram o rio e voltaram a avançar pela serra. Entre as prioridades da operação está evitar que o incêndio chegue à região da Serra Negra.

“Estamos monitorando e combatendo o incêndio. Todo o nosso foco e a nossa força, além de proteger os produtores rurais e suas propriedades, estão direcionados para impedir que o fogo chegue à Serra Negra”, destacou a secretária.

Equipes da Prefeitura Municipal, do Corpo de Bombeiros, produtores rurais e voluntários atuam para apagar incêndio na zona rural de Piranhas (Foto: Correio Goiano)

Calor e baixa umidade agravam situação

As condições meteorológicas previstas para os próximos dias aumentam a preocupação das equipes. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), não há previsão de chuva para Piranhas, enquanto as temperaturas máximas podem chegar a 40°C e a umidade relativa do ar deve ficar abaixo de 20%.

O cenário de calor intenso, ar extremamente seco e vento favorece o aumento da intensidade das chamas e a rápida propagação do incêndio.

Danielle explicou que o período mais crítico ocorre durante a tarde. “Do meio-dia até por volta das 15h ou 16h, o calor é intenso e o fogo ganha força. No fim da tarde, começa o vento e as chamas se espalham ainda mais”, disse.

Incêndio de grandes proporções mobiliza força-tarefa na zona rural de Piranhas (Foto: Divulgação/Semma)

Município pede abertura de aceiros

A Semma orienta os produtores a abrirem e manterem aceiros nas propriedades. Essas faixas sem vegetação ajudam a dificultar o avanço das chamas e facilitam o acesso de caminhões-pipa, máquinas e equipes de combate.

A recomendação é que os produtores tenham, no mínimo, equipamentos como bomba costal e soprador disponíveis. A secretária Danielle Reis também reforçou que não se deve utilizar fogo para limpar folhas, terrenos ou pastagens durante o atual período de seca.

“Não pense que será possível queimar um pouco de folhas ou limpar a pastagem com fogo e conseguir controlar as chamas, porque isso não será possível. Este é um período de extrema seca. Precisamos da conscientização dos produtores e também da população da zona urbana para que não utilize fogo em nenhuma situação”, alertou.

Além dos danos ambientais e dos prejuízos às propriedades rurais, a fumaça provocada pelo incêndio pode afetar a saúde dos moradores.

Em caso de incêndio, a orientação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 e comunicar a Semma pelo número (64) 9 9618-3523. Sempre que houver condições seguras, também é recomendado registrar fotos e vídeos do início da ocorrência e das ações de combate, preservar informações que possam contribuir para a identificação da causa e cooperar com os órgãos responsáveis.

 

Por Jotta Oliveira – do Correio Goiano

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