Gripe ou resfriado: especialista explica diferenças, sintomas e formas de prevenção

Com a queda das temperaturas e o aumento da circulação de vírus respiratórios, infectologista alerta para sinais de gravidade, importância da vacinação e cuidados com bebês e grupos de risco

(Foto: Reprodução)

Com a chegada das temperaturas mais baixas e a maior permanência das pessoas em ambientes fechados, aumenta também a circulação de vírus respiratórios no Brasil. Nesse período, uma dúvida comum volta a surgir entre a população: como diferenciar gripe de resfriado?

Apesar de apresentarem sintomas semelhantes, as duas condições são causadas por vírus diferentes e possuem características distintas. Segundo Silvia Nunes Szente Fonseca, médica infectologista e docente do IDOMED, a gripe costuma se manifestar de forma mais intensa e exige maior atenção, principalmente entre pessoas mais vulneráveis.

“A gripe é causada pelo vírus influenza e geralmente começa de forma súbita, com febre alta, dor no corpo e um cansaço importante. Já o resfriado é provocado por outros vírus e costuma ser mais leve, com sintomas como coriza, espirros e nariz entupido”, explica.

A especialista ressalta que alguns vírus respiratórios considerados comuns também podem representar riscos importantes, especialmente para crianças pequenas. “O vírus sincicial respiratório, por exemplo, pode causar apenas sintomas leves nesses grupos, mas está associado a quadros graves de bronquiolite em bebês, especialmente nos primeiros seis meses de vida”, alerta.

De acordo com a infectologista, a gripe costuma apresentar sintomas de forma rápida e intensa, incluindo febre alta, dores no corpo e prostração. Nessas situações, repouso, hidratação e, em alguns casos, avaliação médica são recomendados, principalmente para idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

Já no caso do resfriado, os sintomas geralmente aparecem de forma mais gradual e costumam se concentrar no nariz e na garganta, com coriza, espirros e congestão nasal. Medidas simples como hidratação, repouso e lavagem nasal costumam ser suficientes para a recuperação.

A especialista chama atenção para a evolução dos sintomas como principal sinal de alerta. “Febre persistente, falta de ar ou piora dos sintomas são indicativos de que é preciso buscar atendimento”, destaca.

Ela também lembra que, na prática, nem sempre é possível diferenciar gripe e resfriado apenas pela observação dos sintomas. “Existe uma sobreposição, por isso é importante observar a evolução. Em caso de piora ou em pacientes mais vulneráveis, a orientação é procurar atendimento médico”, afirma.

A vacinação continua sendo apontada como a principal forma de prevenção contra a gripe. A imunização é recomendada para crianças a partir de 6 meses, idosos, gestantes, puérperas, pessoas com doenças crônicas, pacientes oncológicos e profissionais da saúde.

Além da vacina, a especialista orienta a adoção de medidas preventivas no dia a dia, como manter a higiene das mãos, evitar ambientes fechados e pouco ventilados, cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar e evitar contato próximo com pessoas com sintomas respiratórios.

No caso dos bebês, especialmente nos primeiros meses de vida, os cuidados devem ser ainda maiores. Evitar visitas quando estiver com sintomas gripais e higienizar as mãos antes do contato com a criança são medidas consideradas essenciais.

Outra medida destacada pela infectologista é a ampliação da proteção contra o vírus sincicial respiratório. Gestantes já têm acesso à vacinação gratuita pelo Programa Nacional de Imunizações, ajudando a proteger os recém-nascidos nos primeiros meses de vida.

O uso de umidificadores também pode ajudar durante períodos de ar seco, desde que utilizado corretamente. A recomendação é usar o aparelho por algumas horas, preferencialmente à noite, mantendo distância segura da cama e evitando direcionar o vapor diretamente para o rosto. O excesso de umidade, porém, pode favorecer a proliferação de mofo e ácaros, agravando problemas respiratórios.

 

Editado por Jotta Oliveira – do Correio Goiano

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