BR-158: quando o descaso do poder público coloca vidas em risco

Período chuvoso, aumento do tráfego de veículos pesados e falta de manutenção adequada agravam os riscos para quem depende da rodovia no oeste goiano

Ônibus colidiu contra caminhões após motorista tentar desviar de buracos em trecho da BR-158 entre os municípios de Bom Jardim de Goiás e Piranhas (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Há quem diga que estrada ruim a gente aprende a “conhecer” e, atualmente, quem dirige com frequência pela BR-158 tem precisado saber exatamente onde reduzir, onde desviar e onde torcer para que não venha ninguém na direção contrária ao tentar evitar um defeito no asfalto. Mas a verdade é que ninguém deveria precisar decorar buracos para chegar vivo em casa.

Sendo uma das principais rodovias da região oeste de Goiás, a BR-158 faz a ligação diária entre municípios como Piranhas, Bom Jardim de Goiás, Aragarças e tantas outras cidades do Vale do Araguaia. A via é rota de trabalhadores, famílias em viagens de lazer, ônibus de passageiros, ambulâncias e, nesta época do ano, também de muitos veículos pesados que participam do escoamento da safra, exigindo ainda mais de um pavimento já comprometido pela falta de manutenção adequada e pelas chuvas intensas dos últimos meses.

Com toda essa combinação, o risco de acidentes aumenta e vidas passam a estar em perigo. Um exemplo recente ocorreu na noite do dia 23 de fevereiro, no km 64 da rodovia, entre Piranhas e Bom Jardim de Goiás, quando uma colisão envolveu dois caminhões tracionados e um ônibus de passageiros, deixando ao menos três pessoas feridas. Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal, o motorista do ônibus tentou desviar de um buraco na pista e acabou colidindo com os semirreboques de dois caminhões que trafegavam no sentido oposto. Felizmente, não houve vítimas fatais, mas essa sequência de segundos demonstra como tragédias acontecem, muitas vezes, pela ausência de compromisso de quem deveria cumprir o seu dever, que, neste caso, seria investir, ao menos, uma ínfima parte dos tributos arrecadados anualmente para evitar que o cidadão perca a vida ao transitar por uma via em condições precárias.

A preocupação não está apenas nos acidentes. Está também no medo diário de quem percorre quilômetros desviando de crateras, reduzindo bruscamente a velocidade e mudando de faixa sem margem segura. Está no caminhoneiro que precisa diminuir o ritmo para não danificar o veículo e acaba ficando mais vulnerável, inclusive à criminalidade que, em trechos críticos, se aproveita justamente dessa lentidão forçada para agir com mais facilidade.

A região oeste de Goiás tem crescido economicamente, impulsionada pelo agronegócio, pelo comércio e pela prestação de serviços. Mas desenvolvimento não combina com falta de infraestrutura, e o que se espera das autoridades responsáveis é ação efetiva, planejamento e compromisso. A BR-158 não pode continuar sendo lembrada pelos acidentes e pelas vidas perdidas.

 

Por Jotta Oliveira – do Correio Goiano

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