Notificações de tuberculose crescem em Goiás e chegam a 772 em 2026

Tosse persistente, febre e emagrecimento estão entre os sinais da doença, que tem tratamento gratuito pelo SUS

(Foto: IA Ilustrativa/Correio Goiano)

Goiás registrou 772 notificações de tuberculose entre janeiro e setembro de 2026, um aumento de 3,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 746 registros. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO). Em todo o ano passado, o estado somou 999 casos.

Segundo o infectologista João Victor Coriolano, do Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), o crescimento pode estar relacionado à ampliação do acesso aos exames, sem necessariamente representar maior transmissão.

“Com a maior disponibilidade de testes e o acesso mais fácil aos exames, conseguimos identificar mais pessoas com tuberculose. Isso não significa necessariamente que houve aumento da transmissão, mas que a rede está conseguindo diagnosticar mais casos”, explica o médico.

No HDT, os registros tiveram redução de aproximadamente 2%. Entre janeiro e 28 de outubro deste ano, foram feitas 194 notificações, contra 198 no mesmo intervalo de 2025.

A tosse persistente por mais de três semanas é um dos principais sinais da tuberculose. Febre, geralmente no fim do dia, emagrecimento, fraqueza e, em alguns casos, presença de sangue no escarro também podem ocorrer. Pessoas com esses sintomas ou que não apresentaram melhora após tratamento para pneumonia devem procurar uma unidade básica de saúde.

A transmissão ocorre pelo ar, por partículas eliminadas por pessoas com a forma pulmonar da doença ao falar, tossir ou cantar. Ambientes fechados e com aglomeração favorecem o contágio, que não ocorre pelo compartilhamento de objetos, roupas ou pelo contato com superfícies utilizadas pelo paciente.

A tuberculose tem cura e o tratamento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na maioria dos casos, dura seis meses, mas pode chegar a um ano quando atinge órgãos como ossos, articulações e sistema nervoso central. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento e reduzir a transmissão.

A interrupção dos medicamentos antes do prazo pode favorecer a resistência da bactéria, dificultar a cura e provocar sequelas.

“Quando o paciente não conclui o tratamento, a bactéria pode desenvolver resistência aos medicamentos. Além de dificultar a cura, a doença pode comprometer a função do órgão atingido”, alerta Coriolano.

Quem teve contato com uma pessoa diagnosticada deve procurar uma unidade de saúde, mesmo sem sintomas. A avaliação permite identificar uma possível infecção e, quando indicado, iniciar tratamento preventivo para evitar o desenvolvimento da doença.

A vacina BCG, recomendada ao nascimento, protege principalmente contra as formas graves da tuberculose na infância, como a meningite tuberculosa.

 

Com informações da SES-GO

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